LANÇAMENTO PELA LEI ALDIR BLANC-DIAMANTINA: ESCREVIVÊNCIAS DO AXÉ

O romance Sereia presa na caixa d’água – Axé I: Senhora da garrafa se passa a priori na cidade de São Paulo, e explora a mitologia das religiões afro-brasileiras. Unindo a vivência da religiosidade por meio de sua representação mítica mais as buscas por identidade e respeito na sociedade brasileira. Sua proposta como narrativa é unir a ficção que a literatura fantástica proporciona e a informação.

Faz-se importante frisar que esta obra mesmo possuindo um suporte de pesquisa – livros, artigos, contos e cantos orais – não tem a ambição de se classificar ou caracterizar como uma obra que represente qualquer Nação as quais a religião afro-brasileira pertença. É como um caldeirão, uma mistura, um hibridismo tão presente no povo brasileiro – tendo uma aceitação à miscigenação ou não – o livro busca imiscuir uma diversidade de representações desde o mítico e imagético mundo religioso até as representações religiosas de fato.

A escolha de Escrevivências do Axé como representação da obra parte do que é proposto por Conceição Evaristo, uma vez que o processo criativo do livro que vai desde a produção literária até a divulgação do livro, nasce do cotidiano. Sentados em cômodos de uma pequena casa na periferia de Diamantina, onde é a morada do autor, o coletivo, constrói a narrativa, bem como suas notas de rodapé, através das vivências dentro de um terreiro de candomblé, intercalando a realidade e o mítico, com intuito de demonstrar as experiências a partir da religiosidade.

Inesperadamente, já nas primeiras páginas da narrativa se vê notas de rodapé. Essa é uma surpresa que acompanha a leitora e o leitor durante toda a obra. Isso faz com que, durante o percurso, além de experimentar a narrativa literária, também se experimente o saber científico. Longe de dificultar a leitura, as notas de rodapé proporcionam que se visualize mais nitidamente as imagens propostas pelo escritor, elas que são repletas de saberes ancestrais africanos: religiosos, linguísticos e culturais.

A Lei 10.639 representa um passo em direção a uma educação democrática, capaz de respeitar e incluir as pluralidades culturais brasileiras. A partir da Lei, conhecimentos apagados e estigmatizados pelo racismo puderam ser resgatados e apresentados ao público. O povo negro, pôde vislumbrar um referencial mais amplo, que vai além de sua escravização. Nesse sentido, o livro, em sua substância, é fruto da Lei e retorna para ela como material literário e de pesquisa, produto para ser utilizado pelas escolas e pela população em geral, como fonte de novas aprendizagens e narrativas.

                     

Download E-book – Sereia presa na caixa d’água AXÉ 1: A senhora da garrafa, de Robson Di Brito

                     

COLETIVO ESCREVIVÊNCIAS DO AXÉ

 

Robson Di Brito (Autor)

Robson Di Brito é Jornalista, Escritor e Mestre Interdisciplinar em Humanidade com trabalhos sobre as temáticas afro e afro-brasileira, seu último trabalho foi “Aproximação dialógica: Cosmogonias grega e iorubá” (2019) investigação científica na modalidade de mestrado.

Janaíne Ferraz (Revisão)

Janaíne Ferraz é graduanda em História, integrante do Programa de Educação Tutorial Estratégias para Diminuir a Retenção e Evasão, e membro do NEABI/UFVJM, onde atua na linha de pesquisa sobre Estudos Culturais Afro-brasileiros. Seu último trabalho foi a organização do livro Res-Piro.

Gustavo Brant (Preparação)

Gustavo Brant é graduando em Letras pelas UFVJM, pesquisador da linguagem por meio da literatura, seu último trabalho foi “Análise literária do conto ‘Famigerado’ de João Guimarães Rosa”.

Paula Brito (Assistência de publicidade)

Paula Brito é estudante de Bacharelado em Humanidades, atua como bolsista do PET-Estratégias Para diminuir a Retenção e Evasão da UFVJM e realiza pesquisa sobre as intersecções raça e gênero no currículo da UFVJM.

Gabriel Botelho (Divulgação)

Gabriel Botelho, artista autodidata e dedica-se à arte em paralelo com os estudos formais, atualmente é fundador e presidente da Bateria Brocadeira, bateria universitária e musicista do coletivo afro-músico-literário Panteão do Diamante.

Marcial Ávila (Capa)

Graduado em Artes Plásticas e especialista em Escultura, pela Universidade Estadual de Minas Gerais – UEMG / Escola Guignard. Pós-graduado em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros pela PUC Minas. Uma de suas criações mais conhecidas é a coleção Sete Vezes Chica, que faz parte do acervo permanente do IPHAN em Diamantina, Minas Gerais. Suas obras já foram expostas na França, Itália, Espanha, Portugal, Moçambique, Estados Unidos e Colômbia. É membro fundador do Instituto Cultural Casarão das Artes, Vice-presidente da Fundação Cultural Bataka, membro do Conselho Editorial da Revista Canjerê.

Léo Ramaldes (Edição e Diagramação)

Designer gráfico, arte finalista e produtor editorial. Envolvido com um pouco de ciência, religião e filosofia. Sempre interessado em símbolos dos mais variados segmentos, e trabalhando com a cultura oriental, especificamente indiana. Também teve a possibilidade de explorar a arte de outros lugares como a cultura africana, e conhecer mais da cultura afro por meio do trabalho de Marcial Ávila.

                     

REALIZAÇÃO:

Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e Políticas Culturais – CMPPCPC

Prefeitura Municipal de Diamantina / Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio – SECTUR

Secretaria Especial da Cultura/ Ministério do Turismo/ Governo Federal